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domingo, 17 de julho de 2016

Flávio Dino vai enfrentar nas eleições municipais o primeiro grande teste da sua liderança

Ribamar Corrêa - Pouco mais de 21 meses depois de comandar uma espetacular vitória nas urnas, que o elegeu em 1º turno num pleito limpo, e não teve uma só contestação na Justiça, o governador Flávio Dino (PCdoB) tem pela frente, daqui a dois meses e meio, o seu primeiro grande teste eleitoral como  chefe de Estado e figura maior do novo cenário político do Maranhão. Consciente de que a eleição de prefeitos (217) e vereadores (2.372) forma a base para as eleições gerais de 2018, o governador se movimenta no sentido de fortalecer os grupos que o apoiam até aqui. Ele opera para manter o suporte político-partidário que dá sustentação ao seu Governo, o que só será possível se os seus aliados saírem vencedores nas eleições de outubro, principalmente nos grandes centros, como São Luís, Imperatriz, Caxias, Timon, Pinheiro, Bacabal, Balsas, Codó e Barra do Corda, por exemplo, como também nos mais pobres, como Pedro do Rosário, Lajeado Novo e Brejo de Areia, entre outros. Se sair vencedor do que será uma verdadeira guerra pelo voto, Flávio Dino estará cacifado para dar voo mais alto em 2018 num grande projeto político nacional, mas se o desempenho dos seus comandados e aliados for abaixo da expectativa, a sua caminhada deverá sofrer uma profunda revisão.

Alguns observadores preveem que, devido à forte presença política do governador em todos os recantos do Estado, as eleições municipais se darão com o ânimo de um embate entre o grupo hoje no poder no Maranhão e o Grupo Sarney, que saiu duramente derrotado nas eleições de 2014. Essa polarização dará ao pleito um forte toque plebiscitário em relação ao Governo do Estado. A desenvoltura dos agentes políticos liderados pelo governador – a começar pelo secretário de Articulação Política e Comunicação, Márcio Jerry, que preside o PCdoB -, que operam no sentido de fortalecer seus partidos contribui decisivamente para esse clima de beligerância política, dando ao pleito de outubro um caráter quase excepcional.

No grande debate que antecede a corrida às urnas, as vozes palacianas trabalham intensamente para mostrar que o Maranhão “vive hoje uma nova realidade”, afirmando enfaticamente que o atual Governo do Estado tem um projeto ambicioso em curso, que as suas ações e os seus gastos são transparentes, que apesar da crise que vem emagrecendo a receita e exigindo reengenharia permanente para que os parcos recursos públicos sejam aplicados em programas sociais necessários e também em infraestrutura e serviços essenciais. O tom da publicidade oficial é o de que o Maranhão está experimentando uma revolução. Por outro lado, sem fazer um coro capaz de transformar suas críticas, contestações e denúncias, as vozes da oposição tentam mostrar o contrário, mas suas manifestações não conseguem eco suficiente para sequer inibir o discurso oficial, que aos poucos vai se firmando.

PCdoB, PDT e PSB, que são os mais importantes partidos da base política do governador Flávio Dino, carregam nos ombros a responsabilidade de vencer a ganhar prefeituras os grandes colégios eleitorais. E pelo menos neste primeiro estágio da corrida, quando os pré-candidatos se preparam para serem sagrados pelos seus partidos, os sinais favorecem expressivamente as forças governistas. Em São Luís, por exemplo, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) vem crescendo com consistência, e na avaliação de observadores tarimbados tem todas as condições de reeleição, já que até sua rejeição já caiu mais de dez pontos a percentuais. A reeleição do prefeito de São Luís tornará Flávio Dino o primeiro governador que elege o prefeito de São Luís desde que a eleição para prefeito de Capital foi restaurada em 1985, pleito vencido por Gardênia Castelo; em 1988 o eleito foi o pedetista Jackson Lago contra Carlos Guterres (PMDB), candidato do então governador Epitácio Cafeteira; em 1992, São Luís elegeu Conceição Andrade (PSB) contra João Alberto (PMDB), este apoiado pelo governador Edison Lobão; em 1996, Jackson Lago, de oposição ao Governo e reeleito em 2000; em 2004, Tadeu Palácio se reelegeu; em 2008 João Castelo, também de oposição, se elegeu, mas perdeu para Edivaldo Jr. em 2012, que teve o apoio do então deputado federal Flávio Dino.

Além de Edivaldo Jr, em São Luís, o governador tem candidatos competitivos e favoritos em Imperatriz (Rosângela Curado [PDT]), em Caxias (Leo Coutinho [PSB]), em Timon (Luciano Leitoa [PSB]) e em outros municípios de grande peso eleitoral e político. O quadro indica que, pelo menos até aqui, ele tem condições de sair da corrida às urnas politicamente fortalecido, credenciado, portanto, para se consolidar no comando da política estadual e com forte influência no plano nacional, principalmente na seara das esquerdas.

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