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Postagem Carrossel

terça-feira, 5 de junho de 2018 às 20:00

“Governo do Estado cometeu crime contra a cultura popular do MA”, afirma Eduardo Braide

O deputado Eduardo Braide usou a tribuna nesta terça-feira (5), para denunciar a retirada de dezenas de manifestações culturais e artistas maranhenses da programação do São João deste ano promovido pelo Governo do Estado.

“Isso é um crime contra a nossa cultura popular. Deixar de fora da programação manifestações que se apresentam há mais de 20 anos? Deixar de fora artista como Mano Borges, Betto Pereira, Carlinhos Veloz? Cultura só faz quem gosta. E pelo visto, o governador do Estado nem sabe fazer cultura e muito menos gosta dela”, afirmou o parlamentar.

Eduardo Braide também questionou os critérios usados pelo Governo do Estado para as contratações de fora e locais. “Enquanto para as manifestações e artistas maranhenses - que já têm o reconhecimento do povo do Maranhão - foram feitas várias exigências por meio de um edital, para as atrações de fora o Governo do Estado fez apenas um convite sem submete-los a nenhum tipo de avaliação. E o pior disso tudo, é que esses receberão os maiores cachês, enquanto as nossas brincadeiras e os nossos artistas sequer entraram na programação”, disse.

O deputado também anunciou a destinação da emenda parlamentar de sua autoria no valor de R$ 200 mil para o São João deste ano, e cobrou o uso dos recursos no pagamento de artistas locais. “Não adianta ficar só no discurso. As nossas manifestações e artistas merecem mais do que atenção, o nosso respeito e apoio. Por isso destinei ao São João do Maranhão deste ano, uma emenda parlamentar no valor de R$ 200 mil. A minha cobrança agora é que esses recursos sejam utilizados exclusivamente para o pagamento de artistas e manifestações daqui. Gente que verdadeiramente fez e faz a cultura popular do Maranhão ser grandiosa”, cobrou Braide.

Ao fim do pronunciamento, Eduardo Braide pediu que o Governo do Estado reconheça o grave erro de ter deixado de fora do São João do Maranhão inúmeras manifestações e artistas locais. “É preciso reconhecer e corrigir esse erro gravíssimo cometido com as nossas brincadeiras e os nossos artistas. Ainda dá tempo e é isso que peço desta tribuna. O próprio edital prevê a possibilidade de aumentar o número de apresentações. Portanto, se o Governo do Estado não fizer, é porque simplesmente não quis. A cultura não tem partido. Ela une. E espero que a cultura do Maranhão seja respeitada”, concluiu o parlamentar.

Timon: 14 bairros sem abastecimento de água no próximo domingo (10)

Águas de Timon realiza limpeza mecânica de adutora na avenida Luís Firmino
Mais de 2.000 metros da adutora localizada na avenida Luís Firmino, em Timon, passarão por limpeza mecânica. Para isso, a Águas de Timon utilizará um equipamento de alta tecnologia, conhecido como PIG. A ferramenta escova a tubulação e faz a retirada de incrustações, reforçando a qualidade do abastecimento e aumentando o volume distribuído.

Os procedimentos para a realização do serviço contam com a sondagem antecipada dos locais de lançamento, o recebimento do PIG, a montagem do lançador e a programação de horários. Para viabilizar a ação, será necessário interromper o abastecimento de água tratada no dia 10, a partir das 20 horas, nos bairros Santo Antônio, Centro, Mangueira, São Benedito, São Marcos, Formosa, Parque Piauí I e II, Mateusinho, Vila Monteiro, Parque Delfino, Júlia Almeida, Vila Angélica, Vila João Reis e Cinturão Verde.

O trabalho deverá durar 24 horas e o retorno gradativo do abastecimento nos bairros atingidos acontecerá a partir das 20 horas do dia 11. “Estamos comunicando com antecedência para que a população fique bem informada. É muito importante que todos os moradores dos bairros atingidos reservem água em baldes, bacias e caixa d’água com antecedência. A limpeza das tubulações envolve pausa programada no abastecimento. Fique atento às nossas redes sociais e demais canais de comunicação”, avisa o gerente de operações da Águas de Timon, Gabriel Buim.

Com a limpeza, a pressão dentro dos encanamentos diminui, assim como os riscos de vazamento. A adutora fica localizada em uma das principais vias da cidade. Por isso, a expectativa é acelerar o processo de limpeza da rede de abastecimento que, somada a outros investimentos operacionais, garantirá água tratada, com qualidade e quantidade, sobretudo na época mais quente do ano: o B-R-O BRÓ.

“A Águas de Timon traz para a cidade o que há de mais moderno para antecipar o processo de limpeza das redes. Para realizar a limpeza, utilizaremos PIG de diâmetro muito similar ao da parede interna da tubulação, contando com ponto de descarga, para que a incrustação saia. Em seguida, acionamos a bomba para pressurizar a água no projétil, então o equipamento se move e, no percurso, retira as incrustações, minimizando a possível chegada desse material na casa dos moradores”, reforça Buim.

O tráfego também será interrompido na avenida Luís Firmino, no trecho entre o Hospital Alarico Pacheco e o IFMA. Para informações sobre o itinerário das linhas de ônibus durante o período de interdição de vias, procure o Conselho Intermunicipal de Mobilidade Urbana (CIMU). A Águas de Timon vai disponibilizar carros-pipas para atender escolas e hospitais. As informações são da assessoria da empresa Águas de Timon. 

Henrique Júnior e Leandro Bello recebem apoio as suas pré-candidaturas em Parnarama

O pré-candidato a deputado estadual, vereador de Timon, Henrique Júnior (PMN), segue firme na sua caminhada rumo a Assembleia do Maranhão. No último domingo, (3), Henrique Júnior esteve acompanhado do pré-candidato a deputado federal, Leandro Bello (DEM) como também do vereador Hélber Guimarães (PEN) no município de Parnarama. Juntos eles foram recebidos por vários amigos e lideranças políticas na casa de Simão Moraes, sogro do vereador Henrique Júnior. 

Henrique Júnior vem firme na sua luta em busca de parcerias políticas em vários municípios pelo Maranhão, desde que declarou ser pré-candidato a deputado estadual, o vereador vem obtendo êxito em todos as cidades que visita, agregando amigos e apoiadores ao seu projeto de 2018. Vale ressaltar que Leandro Bello e Henrique Júnior vão fazer dobradinha no município de Parnarama. "Nossa expectativa é muito boa, nosso projeto é fortalecer nossa região fazendo a boa e nova política" disse Henrique Júnior. 

Sindicato denuncia situação precária da delegacia regional de Itapecuru-Mirim

Sinpol-MA constata situação precária da delegacia regional de Itapecuru-Mirim
SINPOL-MA - O estado precário em que está a 2ª Delegacia Regional de Itapecuru (MA) reflete a crise que a corporação enfrenta: policiais insatisfeitos. Do outro lado, cidadãos revoltados com o péssimo atendimento. O Sinpol-MA realizou, no último sábado (2), uma blitz na unidade policial.

Na visita, os diretores do sindicato encontraram um prédio imundo, com lodo in natura no pátio, peças de roupas espalhadas no chão, muito entulho, provavelmente, de materiais apreendidos, e várias pessoas tentando registrar um Boletim de Ocorrência.

A casa adaptada foi recentemente entregue, mas não oferece as condições adequadas para atender a sociedade.

O espaço reservado para o registro de B.O não oferece privacidade para as vítimas. O número baixo de efetivo é outro agravante. Os três policiais civis plantonistas recebem apoio de um funcionário administrativo para realizar diligências policiais. O próprio servidor administrativo afirmou que estava tirando o plantão na qualidade de investigador de polícia civil. Na ocasião, o delegado plantonista não se encontrava no prédio da delegacia. Segundo os policiais plantonistas, várias ocorrências policiais foram registradas naquele dia.
Quando o atendimento é precário, toda a população sente os efeitos negativos da falta de contingente. Em vídeo feito no local, o presidente do Sinpol-MA, Elton Neves, conversa com os cidadãos e lamenta o tratamento desrespeitoso do Governo do Estado com a população.

Outro problema constatado é o local onde, de acordo com informações colhidas na unidade, menores apreendidos e mulheres, quando são presos, aguardam para serem chamados para depor. Por falta de estrutura, eles ficam algemados em cadeiras, na garagem da delegacia, sem qualquer outro reforço de segurança, com alta probabilidade de fuga no local. Há, inclusive, relatos de que vários detentos já fugiram da delegacia. A situação de insalubridade também está na cela onde ficam os presos.

O Sinpol-MA produzirá relatório sobre a visita e encaminhará aos órgãos competentes solicitando as providências cabíveis. O objetivo da ação busca a melhoria do trabalho dos policiais civis, e, principalmente, um ambiente digno de atendimento para a sociedade. “A diretoria do Sinpol vai continuar visitando as unidades da capital e também do interior, a fim de verificar a situação das delegacias de polícia e as condições de trabalho dos servidores”, garantiu o presidente do sindicato Elton Neves.

Participou também da Blitz do Sinpol-MA, o diretor administrativo Thelso Bruno.

segunda-feira, 4 de junho de 2018 às 15:00

Em Timon, vereador do PSB rompe com o grupo Leitoa e declara apoio a Socorro Waquim

Ramon Alves e vereador Kaká do Frigo Sá declaram apoio a Professora Socorro
O empresário do ramo de transportes de Timon, Ramon Alves, e o vereador de Timon, Kaká do FrigoSá (PSB), declararam apoio à pré-candidatura a deputada estadual de Professora Socorro Waquim (MDB).

O vereador Kaká do Frigo Sá declarou nesta segunda (04) que seguirá a colega vereadora na sua pré-campanha. Os dois conversaram e visitaram amigos e parentes do vereador no povoado 89, zona rural de Timon, onde almoçaram na casa do pai do parlamentar. Com Kaká, já são 5 vereadores de Timon que devem marchar juntos na pré-campanha e campanha de Professora Socorro a deputada estadual.
Já o  anúncio da adesão de Ramon Alves aconteceu neste domingo (03) após entendimentos entre as lideranças, na residência do empresário. Ramon Alves ficou conhecido pela maneira ousada que entrou no sistema de transporte público de Timon/Teresina, com a criação da empresa Timon City. O seu filho, Ramon Júnior (PSD), é vereador de Timon e colega de Socorro no campo da oposição e deve seguir o pai no apoio à Socorro.

O anúncio foi feito por meio de vídeo e divulgado nas redes sociais com o título de “União de Forças”. Esta é mais uma adesão de peso à pré-candidatura de Socorro rumo a Assembleia Legislativa do Maranhão, que nos últimos dias tem recebido apoio espontâneo de líderes partidários, comunitários famílias e políticos de mandato. 

“Professora saiba que essa união é uma união de forças e com certeza a esperança do povo de Timon”, disse o empresário no vídeo.

A pré-candidata afirmou no vídeo que a união das forças é para a construção de um futuro melhor para Timon e para o estado do Maranhão como um todo.

Durante o domingo e início desta segunda as adesões causaram grande repercussão no meio político timonense, o que coloca a pré-candidata a frente na preferência dos timonenses para um cargo legislativo do estado. 

Eleições 2018: A firmeza da pré-candidatura de Alexandre Almeida ao Senado

Em mais um final de semana de visitas aos municípios da Baixada Maranhense, o deputado Alexandre Almeida, pré-candidato ao Senado pelo PSDB, mostra a firmeza e a solidez de seu projeto político rumo à Câmara Alta.

Acompanhado do senador Roberto Rocha, presidente estadual do PSDB e pré-candidato ao governo do estado, Alexandre Almeida, e demais lideranças políticas que compõem a comitiva tucana, percorreram vários municípios mostrando uma alternativa para a política maranhense.

Alcântara, Bequimão, Peri Mirim, Palmeirândia, Pinheiro, Santa Helena e Pedro do Rosário foram os municípios visitados. Em todos eles, Roberto Rocha e Alexandre Almeida se reuniram com lideranças políticas e, principalmente, com a população, para um momento de prestação de contas de suas atuações parlamentares e apresentação dos projetos para o desenvolvimento da região.

Durante entrevista concedida a rádio Santa Helena FM, no município de Santa Helena, Alexandre Almeida destacou o tamanho do desafio que enfrenta ao decidir aceitar o convite para ser candidato a senador. “Entendo que precisamos verdadeiramente promover uma renovação política em nosso estado. O nosso propósito é exatamente abrir uma porta, um caminho novo para que a população maranhense possa escolher um senador jovem e comprometido com as causas da juventude. Um senador ficha limpa, um senador que tenha vigor e disposição para defender os interesses da nossa população”, enfatizou Almeida.

domingo, 3 de junho de 2018 às 09:52

Como o WhatsApp mobilizou caminhoneiros, driblou governo e pode impactar eleições

Depois dos papéis de peso do Twitter na Primavera Árabe em 2011 e do Facebook nas manifestações brasileiras de junho de 2013, chegou a vez do WhatsApp protagonizar a organização de uma mobilização

Por BBC BRASIL

Depois de uma insurreição popular convocada por SMS em Moçambique, em 2010, da Primavera Árabe difundida pelo Twitter no Oriente Médio, em 2011, e das manifestações brasileiras de junho de 2013 impulsionadas pelo Facebook, chegou a vez do WhatsApp ocupar o protagonismo na organização de uma mobilização.

A greve dos caminhoneiros, que interditou milhares de trechos de rodovias em todo o país ao longo de dez dias, é a maior mobilização mundial já feita pelo WhatsApp, dizem Yasodara Córdova, pesquisadora da Escola de Governo de Harvard, nos Estados Unidos, que estuda como os governos lidam com a Internet, e Fabrício Benevenuto, professor de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pioneiro na pesquisa de conteúdos compartilhados em grupos de WhatsApp. "A mobilização ocorre por motivos sociais. As redes dão uma vazão a esses sentimentos", diz Yasodara.

"Na quarta-feira antes da greve, o (preço do) diesel aumentou. Desci para Santos para levar carga. Quando voltei, o diesel já tinha aumentado. Na sexta, aumentou de novo. A galera se comunicou no WhatsApp e falou: não está dando mais", lembra o caminhoneiro Moisés de Oliveira, que ficou parado na Rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, onde ajudou a organizar um grupo de grevistas, sempre com o celular à mão.

A essência do trabalho do caminhoneiro é circular. Isso facilitou que as mensagens se espalhassem rapidamente por diferentes pontos do Brasil. "A gente viaja o Brasil inteiro e vai conhecendo outros caminhoneiros. Quando chega no posto para dormir, a gente conversa, troca o (número de) WhatsApp. Aí, quando chegou a greve, já havia vários grupos montados e a gente distribuiu a informação", diz Oliveira, de 40 anos, 22 anos deles passados atrás do volante do caminhão.

"O Whatsapp facilitou demais a nossa comunicação. Antes, a gente era desconhecido (um do outro). Agora, o pessoal faz um vídeo e, em dois minutos, já espalhou pelo Brasil", completa. "A gente não é envolvido com partido político nenhum. Mas a gente tem a nossa logística".

Na última quinta-feira, apesar de já não haver mais pontos de interdição nas estradas, segundo a Polícia Rodoviária Federal, os apelos pela continuidade da greve não haviam parado de circular pelo WhatsApp. Eram desde pedidos para caminhoneiros irem até Brasília, para que ficassem parados em casa, até convocações de protestos nas cidades.

Conversas fechadas, criptografadas, sem rastro e em pirâmide

A comunicação por WhatsApp tem características diferentes das feitas por Twitter e Facebook. Os dois últimos "são como uma via pública, uma praça, onde você abre uma banquinha e as pessoas podem te ver e interagir com você. Já o grupo de WhatsApp é como a sala de jantar da sua casa, não entra todo mundo", exemplifica a pesquisadora brasileira Yasodara Córdova.

Na prática, enquanto postagens públicas no Twitter ou Facebook podem ser vistas por qualquer um e chegar de uma vez só a milhares de usuários, as mensagens de WhatsApp atingem apenas um indivíduo ou os participantes do grupo, limitados a um número máximo de 256 pessoas. Dali, podem ser levadas para outras pessoas ou outros grupos, em uma distribuição em pirâmide.

Além disso, todo diálogo é criptografado - é como se a sala de jantar estivesse bem trancada e só pudesse entrar quem fosse convidado ou tivesse a chave.

Isso faz com que a conversa fique fechada - para acessá-la, só infiltrado. "A comunicação no Whatsapp acontece de maneira mais velada, mais escondida. São grupos relativamente pequenos. E não há registro público, um rastro, porque há essa encriptação", diz Benevenuto.

Além disso, a comunicação é mais difusa. A conversa vai se propagando pelos celulares, sem registro de quem foi a fonte original da informação - seja mensagem em texto, imagem, áudio ou vídeo. Assim, fica mais difícil identificar quem são as vozes mais difundidas e que estão se transformando em lideranças.

Essas características fazem com que a mobilização pelo WhatsApp represente um novo desafio para governos, acostumados a negociar com lideranças de organizações definidas, com logotipo e CNPJ.

"O sindicato é um modelo que está em declínio no mundo todo. Não só em termos de representatividade, mas também em metodologia. No caso da greve dos caminhoneiros, há um pioneirismo da organização do trabalho baseado na internet. É uma espécie de sindicato digital. É possível que no futuro a gente tenha novas formas de mobilização da força de trabalho como essa", fala Yasodara.

Governo foi driblado pela organização dos caminhoneiros

No quarto dia de greve, uma quinta-feira, o governo do presidente Michel Temer fechou um acordo com parte dos representantes de associações e sindicatos de caminhoneiros, se comprometendo a baixar o preço do combustível em 10% por 30 dias. Com isso, anunciou que a greve iria ter uma trégua. Naquele momento, os postos já começavam a ficar sem combustível.

Mas os caminhoneiros organizados pelo WhatsApp não concordaram com a negociação. No aplicativo, seguiram-se mensagens de repúdio às lideranças que negociaram com o governo Temer, além de aúdios e vídeos notificando sobre pontos de paralização que se mantinham ativos. Nada de acordo, a greve continuava.

"Se não tivesse o WhatsApp, eu creio que o governo já tinha enganado a gente há dias. O governo ia na televisão dizer que a greve acabou. Até um caminhoneiro conseguir se comunicar com outro, já tinha tudo mundo ido embora, tinha acabado a greve. Agora, a gente assistiu a nota do presidente e já passou informação para os grupos de WhatsApp: não acabou não", explica o caminhoneiro Moisés Oliveira.

São Paulo usou o WhatsApp nas negociações

No Estado de São Paulo, foi traçada uma estratégia diferente para negociar com os grevistas. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo, Marcos da Costa, irmão de um caminhoneiro hoje afastado da profissão, resolveu entrar nas negociações.

"Não era um movimento institucionalizado, respondendo a sindicatos e associações. Eram caminhoneiros que se esgotaram com o aumento do preço dos combustíveis e começaram a parar (de rodar). A comunicação deles por WhatsApp permitiu que se formasse uma onda muito rápida no Brasil inteiro", diz Costa.

Depois da negociação fracassada do governo federal na quinta-feira, Costa pediu que colegas advogados do setor de transportes procurassem identificar quem eram as lideranças dos caminhoneiros parados em São Paulo. Em seguida, no sábado de manhã, mais de 10 delas se reuniram na sede da OAB.

"No começo da reunião, os caminhoneiros pediram para tirar foto e fazer vídeo para compartilhar nos grupos de WhatsApp. Isso viralizou. E serviu para que a gente pudesse ter segurança da capacidade de mobilização daquelas pessoas", fala o presidente da OAB.

Em seguida, foi montado um novo grupo de WhatsApp entre esses caminhoneiros e a OAB. "Esse grupo serviu de preparação das pautas de negociação. Ele canalizava as demandas dos caminhoneiros, porque cada pessoa dessas tinha interlocução com outros grupos de WhatsApp. Era uma rede gigantesca", fala Costa. "Eu não tenho dúvida de que isso fez a diferença. Foi fundamental para abrir a possibilidade de diálogo com aqueles que estavam realmente à frente do movimento".

No sábado à tarde, o grupo de WhatsApp criado pela OAB se reuniu com o governo de São Paulo para negociar a desobstrução das estradas do Estado.

"Ainda durante a reunião, eles (os representantes dos caminhoneiros) mandaram mensagens de WhatsApp para a base pedindo para liberar (as estradas). Cerca de uma hora depois, vimos pela cobertura da mídia que a liberação estava começando. Foi o diálogo por WhatsApp que permitiu a primeira liberação de rodovia", comenta o advogado. O movimento dos caminhoneiros em São Paulo não acabou ali, mas de fato começou a diminuir.

Ainda no sábado, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, esteve em São Paulo para participar das conversas com o grupo paulista, tomar conhecimento das pautas e tentar tirar as negociações de Brasília do limbo.

"A greve mostrou que vamos ter que criar mecanismos para dar conta de demandas apresentadas de forma completamente diferentes. Tradicionalmente, eram instituições que iam ao governo apresentar suas pautas. Hoje, vemos movimentos líquidos, absolutamente horizontalizados. A partir de agora, os governos vão ter que aprender a lidar com essa nova realidade e aprender a identificar canais que possam servir para diálogo", conclui Costa.

WhatsApp foi a principal forma de contato com a mobilização

A primeira medição da importância do WhatsApp na greve dos caminhoneiros foi feita pelo Ipsos. Na última terça-feira, o instituto de pesquisa entrevistou cerca de 1,2 mil caminhoneiros que usam um aplicativo de cargas. Dentre os entrevistados, quase metade (46%) soube da paralisação via WhatsApp.

É mais que o dobro de importância da própria estrada - 18% souberam do movimento sendo parados por colegas enquanto rodavam com o caminhão. O Facebook veio em seguida, informando 8,5% dos entrevistados. Um número ínfimo de 1% foi convocado por sindicato ou associação. Entre os entrevistados, estão tanto caminhoneiros que estavam protestando, como quem ficou em casa ou estava rodando normalmente.

Por outro lado, nem tudo é digital. Entre o grupo mais ativo de caminhoneiros, que continuava parado nas estradas na última terça-feira, o corpo a corpo foi tão importante quanto a mobilização nas redes - 39% tomaram conhecimento da greve na estrada, enquanto outros 39% souberam por WhatsApp e Facebook.

A importância do WhatsApp na greve também fica evidente em um boato que circulou no próprio app, alertando usuários para não atualizarem o aplicativo. Segundo a mensagem, a atualização do WhatsApp teria sido determinada pelo governo federal para inviabilizar a comunicação de participantes da greve. O WhatsApp informou que essa informação não procede.

O dia a dia dos grupos de WhatsApp

Uma vez que a mobilização tinha começado, o WhatsApp foi fundamental para propagar informações, passar mensagens de motivação, angariar apoio e bater de frente com o governo do presidente Michel Temer.

É possível ter um retrato de como isso aconteceu pelo monitor do WhatsApp desenvolvido pelo projeto "Eleições Sem Fake", coordenado por Benevenuto, da UFMG. O sistema acompanha 182 grupos públicos com temática política e seleciona quais são as imagens mais compartilhadas diariamente. É a única ferramenta brasileira que acompanha o que ocorre dentro do WhatsApp - seu uso é restrito a pesquisadores.

Segundo o monitor, um dia antes da greve começar, uma imagem de caminhões parados em uma estrada já estava entre as dez mais compartilhadas do dia: "greve geral pela baixa dos combustíveis, você apoia?". Era o movimento se organizando.

Já na segunda-feira, quando os caminhoneiros começaram a parar as rodovias, a greve foi a temática das cinco imagens mais compartilhadas do dia. Na terça-feira, idem - sendo que uma das imagens fazia um chamado: "caminhoneiros convocam população, sozinho (sic) não conseguiremos".

Na quinta-feira, quando o governo de Michel Temer buscou negociar com lideranças de organizações de caminhoneiros, o topo de compartilhamentos foi uma imagem com a hashtag "SomosTodosCaminhoneiros" e outra com a frase "A greve continua". Também circularam memes culpando o PT pela crise e, no sentido oposto, dizendo que a crise começou porque o PT saiu do governo.

Em seguida, pedidos de intervenção militar passaram a despontar. Já na última terça-feira, quando o protesto dos caminhoneiros já estava perdendo força, os grupos de WhatsApp foram tomados por críticas à baixa adesão da população ao protesto: "Povo tem o governo que merece: reclama ficar 3h na fila do hospital, mas fica 8h na fila do posto de combustível".

Informações reais duelam com fake news

Nesse meio tempo, foram surgindo grupos de WhastsApp de apoiadores dos caminhoneiros, para troca de informações sobre a greve. A BBC Brasil acompanhou seis deles. Em meio a mensagens verdadeiras, circulavam muitas notícias falsas e desatualizadas. Entre elas, vídeos dizendo que manifestantes tinham ocupado Brasília e imagens informando que militares estariam prestes a tomar o poder.

No começo desta semana, foi feito um apelo nos grupos: que os caminhoneiros passassem a informar data, hora e local da mensagem de áudio ou vídeo, já que tudo estava mudando muito rapidamente e era preciso identificar se se tratava de algo novo ou não. Em um dos grupos, criado no dia seguinte à greve, o administrador deletou mais de 200 participantes acusados de promover "fake news".

"A ideia do WhatsApp é a comunicação ponta a ponta. Não tem impulsionamento de mensagens, como no Facebook. Então, a empresa não tem influência no diálogo. São grupos se auto-organizando e repassando essas mensagens", afirma Benevenuto.

É uma via aberta, por onde trafegam os diferentes ideiais de uma sociedade. "Eu me lembro de ver a primavera árabe, em 2011, e pensar: 'as redes sociais vão virar movimento político, vão alavancar a democracia, vão abrir a cabeça das pessoas, não tem como governos autoritários controlarem uma coisa dessas'. E hoje vemos que pode ser usada para qualquer dos lados. Tem pedido de intervenção militar, notícia falsa...", completa o pesquisador da UFMG.

WhatsApp vai ser importante nas eleições de 2018

O WhatsApp, usado por 60% da população do Brasil, já é uma das principais fontes de informação no país. Segundo o Digital News Report de 2017, um estudo sobre o consumo de notícias produzido em conjunto pela Reuters Institute e pela Universidade de Oxford em 36 países, 46% dos brasileiros usam WhatsApp para encontrar notícias.

O número é muito maior do que a média mundial, de 15%, e chamou a atenção dos pesquisadores. No estudo, eles destacaram que o WhatsApp cresceu tanto no Brasil que já está rivalizando com o Facebook - usado por 57% dos brasileiros para encontrar notícias.

"A greve de caminhoneiros aponta totalmente como pode ser o uso do WhatsApp nas eleições de 2018", diz Maurício Moura, pesquisador da George Washington University, nos Estados Unidos, que analisou o uso do aplicativo nas eleições de 2014. Segundo o pesquisador, a tendência é que o debate eleitoral deste ano ocorra muito dentro do app de conversas.

"A rede social das eleições de 2018 vai ser o WhatsApp. Hoje, muito mais pessoas têm smarthphones no Brasil do que em 2014", avalia Moura, que também já trabalhou com campanhas políticas e é fundador da Ideia Big Data, que realiza pesquisas de opinião. "Agora, não tem como fazer campanha no WhatsApp sem números de telefone. Por isso, a primeira estratégia dos candidatos e partidos é coletar números de celular, em eventos, fan pages...".

Mesmo antes da campanha, já há diversos grupos de apoiadores de candidatos, como Jair Bolsonaro. "A tendência é as pessoas se organizarem nos grupos de WhatsApp em torno de candidatos e pautas. Por outro lado, pessoas que querem desestabilizar as campanhas umas das outras também estarão operando nos grupos de WhatsApp com bastante intensidade", acrescenta Yasodara.

O combate às notícias falsas, que se tornou uma grande preocupação desde a eleição de Donald Trump, em 2016, promete ser muito mais difícil no WhatsApp. O Facebook, por exemplo, se comprometeu a não impulsionar páginas que promovam notícias falsas. A rede social pode fazer isso porque funciona como uma mediadora das publicações. Já no WhatsApp, onde não há nenhuma forma de controle externo, isso é impossível.

"Enquanto Facebook e Twitter estiveram sob forte escrutínio nos últimos tempos, o WhatsApp passou um pouco batido. Porém, o app é extremamente utilizado dentro do Brasil. Com toda essa atenção que se deu às outras redes, muito do esforço de campanha política migra para o WhatsApp, onde não há quase nenhum monitoramento", diz Benevenuto, da UFMG.

No WhatsApp, combater notícias falsas e discursos de ódio "é um desafio tão complexo quanto regular o discurso dentro das casas das pessoas", compara Yasodara. "Como a sociedade faz para que os pais não ensinem aos filhos que o nazismo é uma coisa legal? Primeiro, criminaliza o que é ilegal. Segundo, traz cada vez mais informações verdadeiras para o debate público ", opina a pesquisadora de Harvard.

*Colaboraram Juliana Gragnani, André Shalders e Felipe Souza

sexta-feira, 1 de junho de 2018 às 09:52

Posto que não baixar preço do diesel pode ser multado e interditado

    Multas podem chegar a R$ 9,4 milhões
O governo firmará um acordo com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) para garantir o repasse do desconto de R$ 0,46 no litro do óleo diesel ao consumidor.

Em um Termo de Cooperação Técnica, governo – por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) –, federação e distribuidoras se comprometem a fazer o desconto chegar na bomba de combustível.

O acordo será assinado nesta sexta-feira (1º), às 11h, no Ministério de Minas e Energia e foi anunciado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, em entrevista coletiva na noite desta quinta-feira (31) no Palácio do Planalto.

Padilha destacouas punições possíveis àqueles que não repassarem o desconto: multas de até R$ 9,4 milhões, suspensão temporária das atividades, interdição dos estabelecimentos e até mesmo cassação da licença.

A fiscalização será realizada pelos Procons estaduais. Caso um consumidor, ao abastecer com diesel, verificar a não aplicação do desconto, poderá fazer a denúncia ao Procon. As informações são da Agência Brasil.