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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Governadores sofrem na busca pela reeleição

Apenas oito dos 20 que competem por mais quatro anos no poder estão em situação confortável
Turbulências econômicas, explosão da violência, desgaste com escândalos de corrupção e crise migratória criaram um novo cenário nas eleições estaduais: a dificuldade de governadores nas próprias campanhas à reeleição. Há 20 estados onde o atual ocupante do cargo tenta um novo mandato, mas apenas oito deles estão isolados em primeiro lugar, em situação confortável para prolongar o poder por mais quatro anos, segundo as pesquisas de intenção de voto mais recentes. Caso a situação se mantenha, esta será a menor taxa de reeleição desde que a possibilidade passou a valer nas disputas para os governos estaduais. Entre 1998 e 2014, 69% dos governadores que tentaram um novo mandato conseguiram o feito. O desempenho mais baixo aconteceu em 2002, quando 58% se reelegeram. Hoje, a projeção indica a vitória de 40%.

Nos 12 estados em que os governadores enfrentam dificuldades na campanha, há quatro em que eles estão em empate técnico com adversários no primeiro lugar: José Ivo Sartori (MDB), no Rio Grande do Sul; Paulo Câmara (PSB), em Pernambuco; Waldez Góes (PDT), no Amapá; e Belivaldo (PSD), em Sergipe. Nas simulações de segundo turno, Sartori e Câmara aparecem em empate técnico com os adversários — Eduardo Leite (PSDB) e Armando Monteiro (PTB), respectivamente. Já Góes perderia para os dois possíveis adversários, enquanto Belivaldo ganharia de um e perderia de outro.

Nos outros nove estados, a situação é ainda mais complicada. Alguns exemplos são as situações de Márcio França (PSB), que hoje estaria fora do segundo turno em São Paulo, e Cida Borghetti (PP), no Paraná, que perderia no primeiro turno para Ratinho Júnior (PSD), segundo o Ibope.

Já em Minas Gerais, o cenário atual indica que o governador Fernando Pimentel (PT) e o senador Antonio Anastasia (PSDB) vão disputar o segundo turno. O petista está atrás do adversário (33% a 23%, segundo o Datafolha) e perderia no segundo turno. A campanha mineira está centrada na situação fiscal do estado — o governo precisou parcelar o salário dos servidores e, ainda assim, atrasou pagamentos. Anastasia tem explorado o assunto, enquanto Pimentel se defende afirmando que o caos foi provocado pelo governo do tucano, que o antecedeu.

— O estado está quebrado, e essa discussão está sendo jogada para o eleitor. É uma guerra de versões, mas como a memória mais recente é sempre mais importante, a lembrança dos salários atrasados acaba pesando mais — avalia o cientista político Carlos Ranulfo, professor da UFMG.

CRISE MIGRATÓRIA

Em Roraima, a governadora Suely Campos (PP) aparece em terceiro lugar, atrás de Anchieta (PSDB) e Antonio Denarium (PSL). A crise migratória da Venezuela é o principal tema da campanha, com a discussão sobre o fechamento das fronteiras. O cientista político Eloi Parreiras, professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR), cita outros elementos que também atrapalham o desempenho da atual governadora:

— É um estado que depende muito das transferências de recursos federais e emendas parlamentares, e a governadora está isolada politicamente. E todos os candidatos estão usando a crise migratória na campanha, mas não existe uma diferença muito grande entre os discursos deles.

No Rio Grande do Norte, onde o governador Robinson Faria (PSD) está em terceiro lugar, a segurança é um dos temas mais discutidos. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, é o estado mais violento do Brasil, com uma taxa de 68 mortes violentas intencionais por cem mil habitantes — a taxa brasileira é de 30,8. No Mato Grosso, o governador Pedro Taques (PSDB) está em segundo lugar. O tucano é acusado por delatores de ter recebido caixa dois em campanhas eleitorais em um esquema de desvios em licitações e é investigado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) no escândalo da central clandestina de grampos no estado. Ele nega as acusações, mas o assunto tem sido explorado por adversários.

(Fonte: O Globo)

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